A segurança também está na urna
Faltam poucos dias para que milhões de brasileiros voltem às urnas. Nesta reta final de campanha, entre propagandas, debates e promessas, a segurança pública aparece novamente entre as principais preocupações da população. É compreensível, pois todos queremos sair de casa, trabalhar, voltar para nossas famílias e circular pelas ruas com tranquilidade.
Quando isso não acontece, a cobrança costuma chegar primeiro à polícia. Queremos mais policiamento, mais presença nas ruas, respostas rápidas e eficiência no atendimento.
Essa cobrança é legítima. Mas a polícia é apenas uma peça de uma estrutura muito maior, e boa parte dela funciona longe da viatura.
Antes de uma guarnição atender uma ocorrência, existem decisões sobre efetivo, equipamentos, orçamento e políticas públicas. Depois do fato, entram em cena a investigação, o Ministério Público, o Judiciário e toda a base legal que estabelece como o Estado deve agir diante de um crime.
Há, porém, uma parte desse sistema que define as regras antes mesmo de uma emergência acontecer.
As leis que regem o sistema penal, por exemplo, não são elaboradas pela polícia. A definição dos crimes, as regras do processo e as penas aplicáveis resultam de leis elaboradas pelo Poder Legislativo, dentro do processo político.
O policial que atende a ocorrência trabalha dentro de um desenho que ele não fez.
Isso não significa que a polícia deixa de ter responsabilidade. A sociedade tem todo o direito de exigir profissionalismo, eficiência e respeito à lei de quem exerce a atividade policial. Mas cobrar segurança olhando apenas para a farda é cobrar a parte mais visível de um sistema que envolve muitas outras instituições e decisões.
É nesse ponto que a eleição deixa de parecer um evento distante e se conecta diretamente à segurança do nosso dia a dia.
Quando escolhemos um representante, não estamos apenas preenchendo uma cadeira. Estamos escolhendo quem participará das decisões do Estado. E esse representante poderá ajudar a definir, manter ou alterar as regras e os recursos que orientam a atuação do poder público, muito antes de qualquer viatura ser acionada.
Quem ocupa um cargo público não chega lá sozinho; chega pelo voto. Isso significa que a segurança que cobramos também é resultado das escolhas que fazemos nas urnas.
Daqui a poucos dias, estaremos novamente diante da urna. Depois dela, a polícia continuará nas ruas, os desafios continuarão existindo e a população continuará cobrando respostas. Mas algo fundamental terá mudado: teremos definido quem receberá a responsabilidade de tomar as decisões em nosso nome.
A segurança pública não começa apenas quando precisamos da polícia e acionamos o 190. Em uma democracia, ela começa antes, nas escolhas de quem terá o poder de definir as regras e os caminhos do Estado.

Felipe Trichez
Policial Militar por profissão, Cidadão por princípio.


















