Primeiro bairro de Balneário Rincão para quem chega na cidade pelo acesso principal, Pedreiras também se caracteriza por ser um dos principais pontos populacionais e reunir empresas e comércios tradicionais do município litorâneo. Entre os exemplos de pessoas que têm uma vida longa de histórias para contar sobre a comunidade está o casal Manoel José Inácio, de 90 anos, e Marina de Lagos Inácio, de 84. Casados há 63 anos, eles moram no bairro há quase meio século. São 45 anos presenciando o desenvolvimento e as mudanças.
“Eu até brinco, que morava em Porto Alegre e vim para Santa Catarina para morrer, porque nunca mais saí daqui. Quando vim para terras catarinenses, primeiro morei na Próspera (em Criciúma) e quando eu tinha 45 anos, então acabei vindo para Pedreiras, de onde não quis sair mais. Aqui me estabeleci, criei muitos amigos e é aqui que eu quero terminar a minha vida”, afirma Seu Délo, como é popularmente conhecido.
Ele destaca o crescimento que a localidade teve, a expansão no número de moradias, até chegar aos dias atuais. “Quando vim para cá, tinha quatro casas de um lado, cinco de outro e o resto era somente eucalipto. Tinha pouca gente. E nos últimos anos então aconteceu esse grande desenvolvimento, que fez com que tenha bastante gente morando, principalmente quando foi formado o loteamento, na administração do prefeito José Dal Toé”, relembra o morador.
Quando chegou ao bairro Pedreiras, Délo lembra que montou um comércio, de armazém e bar. E explica que seu empreendimento cativava os clientes. “Quando chegamos ao bairro Pedreiras, fomos bem recebidos. Todo mundo que morava na época foi educado com a gente. E eu então montei um bar. Já existia uma na época, só que era no meu que as pessoas que moravam aqui costumavam ficar até de madrugada, conversando”, garante Inácio.
Gosto pela política
Ele sempre gostou de política. Salienta que amava discutir e participar das ações. Inclusive, Inácio é sogro do ex-prefeito de Içara, Gentil da Luz. O aposentado lembra que já viveu várias histórias interessantes em seu bar, em função desse gosto pela política. Sobre da Ditadura Militar, ele recorda que não permitia um debate tão aberto como se tem nos dias atuais.
“Era bastante complicado”, resume. “Várias vezes policiais vinham até a ‘bodega’ e pediam para parar de discutir sobre política. Se continuássemos daquela forma, eles viriam e fechavam. Mas sempre continuamos fazendo isso. Com mais cautela, claro, mas sempre fazíamos”, declara.
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